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Tempo ao Tempo

Rui Tavares
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  • Tempo ao Tempo

    Marc Bloch e Simone Vidal: a história serve para quê, afinal?

    02/07/2026 | 38 min
    A recente panteonização do historiador francês Marc Bloch e da sua mulher, Simone Vidal, oitenta e dois anos após as suas mortes, serve de ponto de partida para uma profunda reflexão de Rui Tavares sobre a história e para que serve a história. Marc Bloch e Simone Vidal entraram, por proposta de Emmanuel Macron, no Panteão de Paris, onde são agora evocados através de cenotáfios que preservam a sua memória, uma vez que os seus restos mortais permanecem no local de origem.
    Figura nuclear da historiografia contemporânea, fundador da Escola dos Annales e da corrente da História das mentalidades; defensor de uma História entendida como ciência da humanidade e da mudança, Bloch distinguiu-se também pelo seu compromisso ético e político: recusou o exílio e integrou a Resistência francesa, acabando por ser preso e executado pela Gestapo em 1944.
    Da interrogação do seu filho quando menino “para que serve a História?” nasceu Apologia da História, obra interrompida pela violência da guerra.
    Mostrando-nos como a família se posicionou politicamente face à panteonização de Bloch e Vidal, Rui Tavares aproveita para refletir sobre o legado do historiador: a busca da verdade, a empatia pelo passado e a coragem perante a adversidade.
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  • Tempo ao Tempo

    O Queijo e os Vermes: o legado Carlo Ginzburg nos modos modernos de fazer e pensar a história

    25/06/2026 | 14 min
    Interromper a programação prevista para falar do historiador Carlo Ginzburg por ocasião da sua morte, não é um gesto circunstancial, mas uma exigência da própria prática da história. Neste episódio Rui Tavares traz-nos um pouco da biografia de Ginzburg, evoca como o seu pensamento moldou a forma como olhamos para o passado e, de certo modo, reconhece a sua própria filiação intelectual.
    Num século marcado por grandes sínteses e ambições de totalidade, a proposta de Carlo Ginzburg foi a de reduzir a escala. Não para diminuir a história, mas para a tornar mais densa. Na obra “O Queijo e os Vermes”, em vez de vastos panoramas de uma época, mostra-nos um moleiro; em vez de procurar no pormenor a confirmação da norma, endereça o atípico como forma de questionar as certezas acerca do passado; em vez de usar os documentos do passado como provas, trata o arquivo como um terreno vivo, quase ao modo antropológico.
    Interromper para falar de Ginzburg é, por isso, também lembrar que fazer história implica saber parar — e reconhecer quem nos ensinou a ver no ínfimo uma outra forma de grandeza.
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  • Tempo ao Tempo

    Magnífica Humanitas: o que a encíclica de Leão XIV nos diz sobre a IA e o futuro da humanidade

    18/06/2026 | 35 min
    Na encíclica Magnifica Humanitas, de maio de 2026, o Papa Leão XIV apresenta a inteligência artificial como uma questão existencial, comparável a outros grandes desafios da humanidade, e coloca-a perante um dilema: entre uma nova Babel — marcada pela perda de sentido humano — e a construção de uma comunidade assente na responsabilidade partilhada.
    A partir deste documento, Rui Tavares retoma a reflexão sobre a história do futuro, lendo-o nos sinais do presente, como faria um historiador.
    Na encíclica Leão XIV defende a cooperação, critica o nacionalismo e a ausência de regulação global, convocando referências de Santo Agostinho a Hannah Arendt e Tolkien. Mas o episódio detém-se também no que falta: a ausência de Pentecostes, num tempo em que a tecnologia começa a ultrapassar barreiras linguísticas.
    Entre história, tecnologia e ética, este episódio propõe escutar o presente como um arquivo vivo, procurando nele os sinais do futuro. Porque, bem vistas as coisas, e como William Gibson sublinha, “o futuro já está aqui, só não está bem distribuído”.
    Nota: Todas as músicas utilizadas neste episódio foram geradas por IA.
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  • Tempo ao Tempo

    O dia de Camões e a história do futuro

    11/06/2026 | 28 min
    O ponto de partida é o 10 de Junho: uma data que parece fixa, repetida, ano após ano, mas cuja própria história revela o contrário. Ao longo do tempo, este dia mudou de significado, de regime, de discurso, espelhando cada momento do país. Um exemplo de como aquilo que julgamos estável é, afinal, profundamente afectado pela mudança.
    A partir deste dia, Rui Tavares convida-nos a pensar a História como a disciplina que estuda a mudança no tempo, na definição de Marc Bloch, e a recuperar Camões como guia inesperado para refletir sobre ela.
    No seu verso — “não se muda já como soía” — esconde-se uma ideia poderosa: há momentos em que não são apenas as coisas que mudam… é a própria natureza da mudança que se transforma.
    E então, será possível, a partir dessas transformações, fazer uma “história do futuro”?
    Este episódio abre uma série de episódios que serão um convite a pensar a filosofia da história, a olhar o presente com mais atenção e a reconhecer os sinais de um tempo em que múltiplas mudanças, tecnológicas, sociais, climáticas: acontecem ao mesmo tempo e a um ritmo sem precedentes.
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  • Tempo ao Tempo

    Especial dia da Criança: A história de todas as histórias começa sempre com um menino, uma árvore e um bicho

    05/06/2026 | 33 min
    A propósito do Dia da Criança, celebrado esta semana, Rui Tavares parte de uma pergunta do seu filho, simples e, ao mesmo tempo, vertiginosa: “qual é a história de todas as histórias?” Neste episódio especial, regressamos à infância, às infâncias e percorremos milénios.
    Ao longo deste envolvente episódio, atravessamos diferentes histórias que parecem distantes no tempo e no espaço, mas que se unem por três elementos essenciais: uma criança, uma árvore e um bicho. Neles se condensam as experiências fundadoras da infância — o espanto, a descoberta, a relação com o mundo vivo.
    De Ulisses a Santo Agostinho, de Anne Frank às memórias pessoais, o episódio revela como essas imagens primeiras persistem e reaparecem, moldando a forma como lemos, lembramos e compreendemos o mundo.
    Uma poética reflexão sobre a continuidade da infância dentro de nós. Talvez todas as histórias comecem assim: com uma criança a olhar o mundo e a tentar, pela primeira vez, dar-lhe sentido.
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Acerca de Tempo ao Tempo
Tempo ao Tempo é um podcast de histórias da História, de passado, presente e futuro, e da mudança da memória no tempo. Aqui vamos percorrer a micro-história e a História global, a História europeia e a História nacional, sempre com o objetivo de atualizar os dilemas das pessoas do passado e colocar em perspetiva histórica os nossos dilemas do presente. Com o tempo, vão aparecer texturas e um padrão narrativo, que ajudará a fazer sentido do todo. Mas o todo será sempre multímodo, polifónico e eclético. De muitos caminhos. Todas as quintas-feiras um novo episódio escrito e narrado por Rui Tavares, com apoio à produção de Leonor Losa. A sonoplastia de Tempo ao Tempo é de João Luís Amorim e a capa é de Vera Tavares e Tiago Pereira Santos.
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