O ponto de partida é o 10 de Junho: uma data que parece fixa, repetida, ano após ano, mas cuja própria história revela o contrário. Ao longo do tempo, este dia mudou de significado, de regime, de discurso, espelhando cada momento do país. Um exemplo de como aquilo que julgamos estável é, afinal, profundamente afectado pela mudança.
A partir deste dia, Rui Tavares convida-nos a pensar a História como a disciplina que estuda a mudança no tempo, na definição de Marc Bloch, e a recuperar Camões como guia inesperado para refletir sobre ela.
No seu verso — “não se muda já como soía” — esconde-se uma ideia poderosa: há momentos em que não são apenas as coisas que mudam… é a própria natureza da mudança que se transforma.
E então, será possível, a partir dessas transformações, fazer uma “história do futuro”?
Este episódio abre uma série de episódios que serão um convite a pensar a filosofia da história, a olhar o presente com mais atenção e a reconhecer os sinais de um tempo em que múltiplas mudanças, tecnológicas, sociais, climáticas: acontecem ao mesmo tempo e a um ritmo sem precedentes.
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