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  • Rendez-vous cultural - “A sensação ao expor em Paris é de que eu embranqueci”, diz artista da Rocinha
    Ele é morador da Rocinha, a maior favela do Brasil, localizada no Rio de Janeiro, com mais de cem mil habitantes. Porém, Maxwell Alexandre percebeu cedo que a representação dos negros no mundo da arte era pequena. E como artista, aceitou o desafio de chamar a atenção para essa disparidade, como explicou à RFI em sua passagem por Paris. O carioca inaugura nesta sexta-feira (26) a exposição “Novo Poder”, no Palais de Tokyo, renomado centro da arte contemporânea da capital francesa. “A sensação de chegar ao Palais de Tokyo, em Paris, é de que eu embranqueci. Acho que não tem como chegar no maior centro cultural da Europa, com todo o prestígio que eu venho tendo, sem antes ter se tornado branco”, observa. Na série exposta em Paris, Maxwell Alexandre explora a ideia de ocupação da comunidade preta em templos consagrados de contemplação de arte. “Eu acho que as pessoas não se dão conta de que não tem negros em lugar nenhum. Não é só sobre os museus, se você for num restaurante, hotel de luxo, não vai encontrar negros. Se for numa joalheria, a mesma coisa. Qualquer lugar de lazer ou alimento da alma, que tem a ver com conforto e qualidade de vida, você não vai encontrar negro”, afirma. “É um espaço codificado. Essa ideia de que a arte é democrática, de que a arte vai salvar o mundo, de que a arte é para todo mundo, isso é mentira, isso é um papo romântico”, lamenta, considerando-se uma exceção. Ser artista Nascido e criado numa comunidade pobre, ele conta que o apoio dos amigos e da família sempre foram estímulos para seguir um rumo diferente do dia-a-dia da favela. “Eu desenho desde pequeno e quando você desenha bem, você recebe esse feedback: ‘ele é artista’. Esse feedback eu sempre tive, de que eu era artista”, conta. “Mas eu acho que ser artista é muito mais do que uma mão talentosa. Mais do que ser exímio em criações plásticas. Eu acho que ser artista é sobre estar atento ao mundo e essa é minha postura, desde pequeno”, afirma. “Eu sempre estive muito atento, sempre me perguntando porque nasci nessa condição, sempre muito inconformado, essa postura de ser um curioso no mundo, um pesquisador no mundo”, descreve. Maxwell Alexandre diz que a reivindicação dos locais de cultura tem relação direta com uma posição de poder. “Porque são nesses espaços que a história é legitimada, que narrativas e a construção de imagens são manipuladas”, explica. “A presença do corpo negro nesses espaços de cultura é política”, completa. No Palais de Tokyo, o artista expõe obras de grandes dimensões, em que são retratados personagens do cotidiano da favela, como estudantes, donas de casa e policiais. “São personagens de figuração preta, mas a maioria é de anônimos”, diz. “O processo de criação dos personagens vai desde a imaginação, mas eu também costumo usar muita imagem de internet. Eu sou muito ativo no Instagram. Temos um banco de imagens grande e me interesso no comportamento dos personagens”, explica. Preto, branco e pardo “Eu trabalho com ênfase em três signos: o preto, o branco e o pardo. E óbvio que vai ter uma leitura racial sobre esses três signos, que são desígnios de cor no Brasil. Mas eu estou muito mais interessado nas questões semióticas e da comunicação visual e da pintura, da arte em maneira geral”, afirma o jovem artista. “O preto está sendo manifestado pelas figuras pretas, envoltas pelo branco, que aponta para o conhecimento acadêmico. E o pardo que é a própria arte, que faz menção ao suporte de pintura, que é o papel pardo”, afirma. “O que me seduziu foi a cor amarelada do papel. E quando eu pintei o primeiro retrato, eu sabia que qualquer pincelada preta, azul ou branca iria funcionar e depois do terceiro ou quarto retrato, eu entendi que não era só um gesto estético, mas um gesto político e social, justamente por você ter o pardo como um desígnio de classificação de tonalidade de pele, mais clara, no Brasil”, diz. “Você tinha essa classificação para negros no passado. Você vai na certidão, na carteira de identidade, e o negro estava identificado como pardo. Depois da entrada do negro nas universidades e que começa a aquecer esse tipo de debate, a gente começa a olhar para nós mesmos como negros e fazer essa reivindicação de orgulho. Eu aceito o meu cabelo, eu aceito o meu nariz eu aceito a minha experiência como negro e o pardo passa a ser um termo inaceitável”, diz Maxwell. O artista de 31 anos já participou de exposições internacionais, como a Art Basel, na Suíça, em outubro. No momento, ele também participa com quatro painéis na maior feira de arte da América Latina, a SP Arte, em São Paulo. Em dezembro, Maxwell Alexandre embarca para a Art Basel de Miami, com mais quatro novos trabalhos. Para assistir a reportagem completa, clique na foto principal acima.
    11/26/2021
    5:33
  • Rendez-vous cultural - Peça francesa "Condor" expõe sequelas da ditadura brasileira
    A peça "Condor", em cartaz no teatro MC93 de Bobigny, na periferia de Paris, faz referência à operação criada em 1975 pelas ditaduras da América Latina para reprimir os opositores aos regimes militares. A campanha de repressão foi promovida por seis países, Chile, Argentina, Uruguai, Paraguai, Bolívia e Brasil, mas no texto francês ela é simbolizada por um diálogo entre uma irmã e um irmão que escolheram campos opostos durante a ditadura brasileira. "Condor", do francês Frédéric Vossier, é dirigida por Anne Théron. Em cena, apenas dois atores. Mireille Herbstmeyer interpreta Anna, a ex-revolucionária, torturada, que 40 anos depois procura o irmão, que ficou do lado dos militares. Paul, o torturador, é interpretado por Frédéric Leidgens. A peça é um confronto intenso entre quatro paredes que faz ressurgir, no espaço de uma noite, lembranças de uma juventude comum e de um traumatismo impossível de esquecer. Para a diretora Anne Théron, Condor fala da resiliência de uma mulher atormentada. "O que me interessou foi o percurso de uma mulher, a pequena história na grande História. Desde a primeira vez que o li, disse que era um pesadelo psíquico e político. O que me interessou foi a complexidade, a tensão dessa história. Somos como ela, que pergunta o tempo todo para o irmão: mas quem é você? E ele responde sempre: por que você veio? O que me interessou também foi que eu pensava, como a maioria dos franceses, que a operação Condor era a Argentina e o Chile. E descobri que ela aconteceu também no Brasil, e eu ignorava. Foi um mergulho no horror", explica. A história se passa no presente, mas mistura realidade, delírios e lembranças antigas. O texto é repleto de não-ditos. A trama se revela aos poucos, de maneira fragmentada, e um espectador pouco familiarizado com o desenrolar dos fatos na América Latina pode ficar um pouco perdido. Mas a montagem e direção de Anne Théron, que utiliza com perspicácia efeitos sonoros e de vídeo, recria a atmosfera opressora dessa "noite de horror". A diretora escolheu um cenário que simboliza a reclusão. O apartamento do irmão Paul é representado por um bunker semidestruído e enterrado na areia. "Nada é exótico ou folclórico, mas fundamental. Isto é, a luta de uma mulher para superar um traumatismo. Um confronto sobre uma visão de mundo radicalmente diferente. Não acho que isso faça referência unicamente ao Brasil. Mesmo no texto da peça, a personagem diz Brasil, Brasil, mas poderia ser em outro lugar. É uma história de tortura, de duas visões de mundo que se enfrentam, e o que é mais violento é que isso acontece na mesma família", diz Anne Théron. Dilma Rousseff A atriz Mireille Herbstmeyer relaciona a personagem de Anna com o percurso da ex-presidente brasileira Dilma Rousseff: “Faço parte de uma geração que conheceu o fluxo de refugiados políticos latino-americanos na França. Sem conhecer os detalhes da história, vi vários documentários como a conferência de Dilma Rousseff sobre essa espécie de reconciliação. Pensei muito nela. Em um momento dado, ela para de falar, e sentimos que ela é imbuída por alguma coisa. Um instante de verdade magnifico.  Foi interessante ver o testemunho das vítimas e dos torturadores." Na peça, o personagem do irmão Paul diz que não fez mal a ninguém, que só queria que o mundo fosse melhor. O ator Frédéric Leidgens faz um paralelo com a atitude de criminosos nazistas: “Li há pouco tempo uma biografia um pouco romanceada sobre a vida do nazista Mengele (o médico nazista Josef Mengele que morreu em São Paulo sem nunca ter sido capturado e julgado) na Argentina e no Brasil. Ele consegue escapar, é isso é atroz. É uma imagem bastante justa deste tipo de criminoso, como Paul, que no fundo não reconhece nunca seus atos. A confissão é impossível. Não é para desculpá-los, mas esse tipo de gente não poderia continuar vivendo se reconhecessem o que fizeram.” A história se repete O tema da peça Condor, que fala da polarização da sociedade latino-americana de 40 anos atrás, volta com força a atualidade não só no Brasil, mas em vários outros países. Essa repetição da história impressiona a diretora Anne Théron: "É assustador a que ponto a história se repete. Vou dizer uma coisa de uma grande banalidade: não aprendemos nada! Repetimos os mesmos erros. É impressionante quando me propuseram esta peça para dirigir, foi antes das eleições no Brasil e no momento que comecei a montagem Bolsonaro foi eleito. Não sei como explicar, foi como um pesadelo. Me disse: não é possível", lembra a diretora. A peça Condor, de Frédéric Vossier, dirigida por Anne Théron, fica em cartaz até 28 de novembro no MC93 de Bobigny, na periferia de Paris.
    11/19/2021
    5:42
  • Rendez-vous cultural - Fotografia brasileira engajada e de resistência é destaque em exposição em Paris
    Novembro é tradicionalmente o mês da fotografia na França, com muitas exposições, encontros e debates em torno da imagem. É também a volta em formato presencial, desde o início da pandemia, da feira Paris Photo, uma das maiores do calendário internacional. A fotografia brasileira engajada tem destaque em uma exposição no bairro do Marais, na capital francesa.  Por Patricia Moribe As plataformas Iandê e a Photo Doc apresentam os quatro vencedores do Open Call Rituais Fotográficos/Rituais de Resisência, um concurso lançado no último Encontros de Arles, outro evento importante no cenário internacional. Quinze curadores brasileiros apresentaram o trabalho de dois fotógrafos. Ana Mendes foi o principal destaque, com “Pseudo Indígenas”, com curadoria de Marcela Bonfim. Tendo o registro de povos e comunidades tradicionais do Brasil como norteador de seu trabalho, ela apresenta em Paris imagens dos Akroá Gamella, do Maranhão, e dos Guarani e Kaiowá, do Mato Grosso do Sul. As fotografias sofrem intervenções, com palavras ditas por pessoas públicas, como políticos, juízes ou ministros, “que demonstram o racismo estrutural que o Brasil vive, questionando a identidade de uma população indígena”, explicou a artista. O trabalho de Ana Mendes também foi vencedor da categoria documental do 7° Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, realizado pela Fundação Cultural do Estado da Bahia. O prêmio especial do júri foi para Ilana Bar, com “Transparências de lar”, que há anos vem fotografando a própria família. “As fotos falam de intimidade, de humanidade”, conta Ilana, que começou fazendo experimentações até chegar a um vasto e rico ensaio. “Ele foi se criando de maneira orgânica, no dia a dia, através do contato com os personagens, que são a minha família, que olham para mim, que faço parte da história”. A curadoria foi de Sinara Sandri. Edgar Kanayko, da etnia Xakriabá, foi outro dos quatro finalistas. Além de fotógrafo, ele também é mestre em antropologia. Ele trabalha com a etnofotografia, que é um dos meios de se registrar os aspectos principais da cultura e da vida de um povo, no caso o indígena. O trabalho de Kanayko foi apresentado pelo curador Milton Guran. Já Rodrigo Zeferino concorreu com seu olhar sobre a cidade de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro. O projeto “O Grande Vizinho”, realizado entre 2016 e 2018, retrata a convivência entre cidade e usina, planejadas para coexistir lado a lado, frente a frente. A curadoria foi de Eugênio Sávio. O comitê de seleção francês foi composto por Gláucia Nogueira, curadora e co-fundadora da Iandé, Charlotte Flossaut, da Photo Doc, Sophie Artaud, diretora cultural do projeto, Julia de Bierre, curadora e fundadora da galeria Huit Arles, e Christine Barthe, responsável pela unidade patrimonial fotográfica do Museu do Quai Branly. A exposição pode ser visitada até o dia 20 de novembro, na galeria Basia Embiricos, em Paris.
    11/12/2021
    5:39
  • Rendez-vous cultural - Macron inaugura Museu Dreyfus na França em homenagem ao 'J'accuse' de Zola
    Um dos mais célébres manifestos libertários do planeta, o texto “J’accuse,” do escritor francês Émile Zola, publicado na imprensa parisiense do século XIX, acaba de inspirar a criação de um museu, inaugurado nesta terça-feira (26) pelo presidente da França, Emmanuel Macron. Localizado em Médan, na região de Paris, o Museu Dreyfus foi instalado na antiga casa de Zola e traz mais de 500 documentos destinados a perpetuar a memória do "caso Dreyfus", que polarizou a sociedade francesa da época. “Nunca se esqueçam de nossas lutas do passado, porque elas nos contam que o mundo em que vivemos, assim como nosso país, como nossa República, podem estar novamente ameaçados”, disparou o presidente francês Emmanuel Macron nesta terça-feira (26) ao inaugurar o museu dedicado ao célebre "caso Dreyfus". O chefe de Estado fazia alusão aos diversos episódios de antissemitismo que vêm assombrando o país - e o Velho Continente - recentemente. “Há, neste museu, o que é indissociável entre o que compõe a nação e a República Francesa: os ideais, o amor pela língua e este gosto pela verdade e pela Justiça”, disse Macron aos descendentes de Alfred Dreyfus e Émile Zola, presentes na inauguração. Acompanhado pelo ex-primeiro-ministro da França, Manuel Valls, e pelo rabino-chefe da França, Haïm Korsia, o presidente francês visitou o museu que apresenta curiosidades como um fac-símile do famoso falso deslize que incriminou o capitão Dreyfus na época, acusado injustamente de traição, assim como muitos cartazes antissemitas ou ofensivos contra Émile Zola.  “Zola também faz parte desta luta pela qual se arriscou loucamente, uma luta eminentemente republicana”, acrescentou Emmanuel Macron. Com a visita desta terça-feira, Macron mantém uma promessa feita em março de 2018 no jantar anual do Crif (Conselho Representativo das Instituições Judaicas na França). "J'accuse", um monumento à verdade e à Justiça "J'accuse" [em português, "Eu acuso"] é o título do célebre artigo redigido pelo escritor francês Émile Zola na época do "caso Dreyfus", e publicado no jornal L'Aurore do 13 de janeiro de 1898, sob a forma de uma carta endereçada ao presidente da República da França da época, Félix Faure. O chamado affaire Dreyfus polarizou os franceses em dois campos opostos: aqueles que, como Zola, defendiam a inocência do capitão Alfred Dreyfus na acusação de traição e espionagem, da qual foi finalmente foi inocentado depois de um longo processo, e aqueles que o consideravam culpado. A condenação, no final de 1894, do capitão Dreyfus - por ter supostamente entregue documentos secretos franceses ao Império Alemão - teria sido, segundo especialistas, um "erro judicial ou mesmo uma conspiração judicial", com um pano de fundo de espionagem, em um contexto social particularmente favorável ao antissemitismo e ao ódio à Alemanha [conhecido como "revanchismo"], após a anexação da Alsácia-Lorena em 1871. O caso movimentou a sociedade francesa durante nada menos do que 12 anos, de 1894 a 1906, dividindo-a profunda e duramente em dois campos opostos: os "Dreyfusards", partidários da inocência de Dreyfus, e os "anti-Dreyfusards", que acreditavam na sua culpa. O processo virou filme  - "O Oficial e o Espião" (2020) - na mão do não menos polêmico Roman Polanski, com o oscarizado Jean Dujardin no papel principal. Na época dos fatos, o artigo de Zola - o famoso "J'accuse" - foi publicado na primeira página e foi a manchete do diário L'Aurore, cujos 300.000 exemplares esgotaram-se em poucas horas. Vários intelectuais assinaram, na ocasião, uma petição em favor da revisão do processo Dreyfus, publicada também pelo jornal, entre eles nomes como Anatole France, Georges Courteline, Octave Mirbeau e Claude Monet. As assinaturas foram recolhidas por estudantes ou jovens escritores da época, como Marcel Proust. Zola recebeu diversas mensagens de apoio, mas também cartas injuriosas e ameaças de caráter antissemita ou xenófobo [o pai de Zola era italiano]. O caso Dreyfus, que iria inflamar as multidões [francesas e mundiais] durante vários anos, acabara de nascer, no meio da polêmica. O capitão Dreyfus foi finalmente reabilitado em 1906. Memorial contra o antissemitismo O Museu Dreyfus, inaugurado nesta terça-feira (26) pelo presidente francês, deseja "perpetuar a memória de Émile Zola e do caso Dreyfus, vítima de um complô judicial e antissemita de 1894", afirmou Louis Gautier, presidente da associação Maison Zola-Musée Dreyfus, ao jornal Le Parisien. A antiga residência do autor de Germinal, na região de Yvelines, tem cerca de 300 m2, e abre suas portas ao público na quinta-feira (28), apresentando mais de 500 documentos entre objetos, manuscritos, fotografias, canções, filmes, brochuras, cartazes, desenhos e folhetos destinados a perpetuar a memória do capitão. Poucos dias após a sua inauguração, o museu deverá receber "crianças em idade escolar para tratar das questões do antissemitismo, racismo e exclusão, o funcionamento da justiça, o papel dos meios de comunicação e das redes sociais, além do papel dos intelectuais na democracia", explicou Gautier. A criação do museu e a restauração do espaço foram financiadas em grande parte pelo empresário Pierre Bergé, companheiro do famoso estilista Yves Saint Laurent, assim como pela região de Ile-de-France, a Fundação para a Memória da Shoah [Holocausto] e a Delegação Interministerial de Luta contra o Racismo, o Anti-semitismo e o Ódio Anti-LGBT (Dilcrah).
    10/26/2021
    6:02
  • Rendez-vous cultural - Artes Marciais através da história e do cinema é tema de exposição em Paris
    Com uma imagem em reprodução gigante de Bruce Lee na fachada, o Museu do Quai Branly, de Paris, apresenta a exposição "O Combate Derradeiro – Artes Marciais na Ásia". A visita, lúdica e didática ao mesmo tempo, é permeada de história e filmes  Por Patricia Moribe “A arte marcial é como um patrimônio cultural imaterial, transmitida de mestre a discípulo, através dos séculos”, explica Stéphane du Mesnildot, especialista em cinema asiático e um dos curadores da exposição. O cinema é o inusitado fio condutor da mostra, em meio a peças históricas e obras contemporâneas. “O corpo é a ferramenta, o suporte das artes marciais; o cinema permitiu preservar as impressões desses corpos, as práticas, e ao mesmo tempo, desenvolver uma arte visual própria”, relata o curador. Deuses e demônios do cinema indiano A viagem no tempo começa pela Índia, onde o tema do combate é central na mitologia, antes da expansão do hinduísmo e do budismo. Os textos sagrados Veda, compostos na Índia a partir do século 15 a.C, descrevem uma guerra entre deuses e demônios. “O cinema indiano de artes marciais é épico, popular, com canções, lutas, criaturas fantásticas e veneração de artistas”, diz du Mesnildot, colocando o gênero dentro do cinema cunhado de “Bollywood”, com muita música e cores. De Hong Kong para o mundo O termo kung fu se popularizou tardiamente através do cinema para designar uma grande variedade de artes marciais. As escolas marciais chinesas preparavam monges guerreiros, com tradições inspiradas por animais e terapias corporais datadas de milênios, tendo como fundamento a relação do corpo com as forças da natureza. A ética do combate associa força física e mental, apoiando-se na meditação budista ou na busca da longevidade taoísta. Mas foi em Hong Kong que o gênero ganhou força e se consagrou como uma forma de arte. Os irmãos Shaw dominaram a indústria cinematográfica da ilha dos anos 1960 a 1980. Inspirado no modelo hollywoodiano, eles constroem um gigantesco estúdio, com espaço para até sete produções simultâneas. Surge então todo um culto em torno de artistas e sagas.   Mas uma produtora rival, a Golden Harvest, tem um trunfo implacável - Bruce Lee – que vai colocar o termo “kung fu” no mapa. Nascido em São Francisco (EUA) em 1940, Bruce Lee cresceu em Hong Kong, onde foi ator infantil e depois estudou artes marciais com Ip Man, outro ícone das artes marciais. Bruce Lee criou seu próprio estilo, o jeet kune do, e virou lenda através dos gestos estilizados, velocidade e sons felinos. “O culto a Bruce Lee ainda é muito forte, principalmente entre jovens - ele é a revolta contra a injustiça, sua imagem pode ser reconhecida ainda hoje em todo o mundo”, explica o curador da exposição. A morte de Lee, aos 32 anos, em Hong Hong, é envolta em mistérios. Ele teria passado mal após tomar um medicamento para dor de cabeça, que provocou um edema cerebral. Estética e cerimonial Do Japão vem toda uma outra estética, em torno de um personagem mítico: o samurai. Um dos principais exemplos é “Os Sete Samurais” (1954), de Akira Kurosawa, premiado no Festival de Veneza. “O cinema japonês é construído em torno de códigos estéticos, cerimonial rígido, duelo entre classes e interpretações fascinantes”, explica du Mesnildot. “O manejo do sabre obedece a um ritual muito preciso e a morte chega em uma fração de segundo”, acrescenta. O curador lembra ainda que o cinema japonês também teve intérpretes femininas marcantes, como Meko Kaiji ou Junko Fuji . “São mulheres independentes e que lutam no contexto de clãs. Podemos vê-las também como figura de emancipação feminina”. A exibição traz ao longo do percurso intervenções artísticas contemporâneas, mangás (quadrinhos), instalações e pinturas - terminando com uma grande vitrine de robôs, inspirados no mito do samurai. "O Combate Derradeiro – Artes Marciais na Ásia" fica em cartaz no Museu do Quai Branly, em Paris, até 16 de janeiro de 2022.
    10/22/2021
    6:30

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